terça-feira, 9 de março de 2010

Se foi Adão quem pecou, porque eu recebo a culpa?

Gente, vou retirar a postagem de hoje de dois comentários do blog do Clóvis, o Cinco Solas ( http://cincosolas.blogspot.com ), do post "Seria Deus injusto?". Aliás, recomendo esse blog - muito edificante! Aposto que você tem ou já teve essa dúvida, e saná-la é um grande passo para compreender o Evangelho e a Salvação. Saca só a pergunta que fizeram pra ele, e a resposta que ele deu em seguida (vou transcrever da forma como foi escrito):

Anônimo,

clovis falando sobre a culpa do homem
o homem e culpado por causa do pecado original mas quem pecou foi adão então DEUS condenou toda raça humana pelo pecado de um.e porque
ohomem e culpado por um erro que o matou sem ele mesmo saber? como ele ira conhecer essa verdade se ele está morto; não daria base para alguem contestar a justiça de DEUS
SE ELE NASE MORTO por causa naõ do pecado dele e sim o pecado de adão?


Clóvis respondeu,

Anônimo,

Obrigado pela sua participação e questionamentos.

Deus não apenas é justo como é o padrão de toda justiça. O nosso senso de justiça é falho, somente o que Deus diz que é justo realmente é justo.

A forma como a culpa do pecado de Adão nos é atribuída chama-se imputação, que significa algo como "lançar na conta de". Porque isso se deu? Porque nós estávamos em Adão, Adão pecou não apenas como indivíduo, mas como representante da raça. Uma ilustração seria uma dívida conraída pelo presidente da república, que então é paga por toda a nação, pois ao contraí-la ele o fez como representante de todo um povo. A Bíblia diz que nós pecamos em Adão.

Humanamente falando é possível questionar a justiça de Deus. Mas é loucura. O que não impede de homens fazê-lo. Pedro Pelágio foi um que questionou isso e chegou a negar o pecado original. Pelágio é um precursor do arminianismo.

Mas há um outro problema em rejeitar a culpa original por imputação. É que a justiça de Cristo também nos é conferida por imputação. Assim, se achamos injusto Deus nos culpar pelo pecado que cometemos em Adão, como aceitaremos que a justiça perfeita de Seu Filho seja lançada na nossa conta? Mesmo porque o processo é o mesmo: em Adão pecamos e morremos, em Cristo somos justificados e vivemos.

Em Cristo,

Clóvis
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Abraços a todos!

sábado, 6 de março de 2010

Calvinismo: essencial para a fé?

Faço minhas as palavras do médico e teólogo David Martyn Lloyd-Jones, no livro "Discernindo os Tempos" da PES. No trecho seguinte, ele explicita sua convicção acerca dos pontos que são essenciais e dos que não são essenciais à fé cristã. Que eu sempre me lembre disso antes de discutir com algum irmão arminiano.

"Uma delas é a crença na eleição e na predestinação. Pois bem, eu sou calvinista; creio na eleição e na predestinação; contudo nem sonho em colocá-la sob o título de pontos essenciais. Coloco-a sob o título de pontos não essenciais. Notem bem, eu condeno o pelagianismo; eu digo que o pelagianismo é uma negação da verdade das Escrituras quanto à salvação - isso cai fora. Mas estou pensando no arminianismo, em suas várias formas e, portanto, não coloco isto na categoria de pontos essenciais.
Não, pela seguinte razão, que isto, para mim, é matéria de entendimento. Você não é salvo pelo seu preciso entendimento de como esta grande salvação chega a você. O que você precisa ter claro na mente é que está perdido e condenado, sem esperança e sem amparo, e que nada pode salvá-lo, senão a graça de Deus em Jesus Cristo, e unicamente Ele crucificado, levando sobre si o castigo dos seus pecados, morrendo, ressurgindo, ascendendo ao céu, enviando o Seu Espírito, e a regeneração. Esses são os pontos essenciais.

Agora, quando você vem e me pergunta: exatamente como eu chego a crer nisso? Eu digo que é matéria de entendimento da mecânica da salvação, não do método da salvação. E aqui, embora eu mesmo tenha ideias muito definidas e sólidas sobre o assunto, não me separarei do homem que não consegue aceitar e abraçar as doutrinas da eleição e da predestinação e que é arminiano, contanto que ele me diga que todos nós somos salvos pela graça, e contanto que, como o calvinista concorda, como deve concordar, que Deus chama os homens, em toda parte, ao arrependimento. Contanto que ambos estejam dispostos a concordar acerca dessas coisas, eu digo que não devemos romper a comunhão. Ponho, assim, a eleição na categoria
de pontos não essenciais."

Discernindo os tempos: palestras proferidas entre 1942 e 1977/D.M.Lloyd-Jones/Editora
PES, SP, 1994, p.370.

Abraços!