Achamos que o Cristianismo de hoje deve voltar à sua essência. Por isso, fazemos uma referência aos primeiros irmãos na fé, conhecidos como aqueles " que eram do Caminho" (At 9.2), pois pertenciam a Jesus (Jo 14.6). Assim, como Discípulos do Caminho, queremos viver a Teologia de nossas mentes no dia-a-dia de nossas vidas, conscientes de que nossa missão é preparar o caminho do Senhor (Mt 3.3).
sábado, 31 de julho de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
A Diferença
"A diferença entre os cristãos e os incrédulos, no tocante ao conhecimento, não se acha tanto no conteúdo nem no modo de conhecer. Alguns incrédulos talvez saibam mais - e consigam dizer mais - a respeito de Deus, de sua perfeição e de sua vontade do que muitos cristãos. Mas nada sabem do que deveriam, nada de maneira certa, nada de modo espiritual e salvífico, nada com a luz santa e celestial. A excelência de um cristão não é ter ampla apreensão das coisas, mas sim aquilo que de fato compreende, talvez bem pouco, aquilo que vê à luz do Espírito de Deus, de forma salvífica e transformadora da alma. É isso o que nos dá comunhão com Deus - não a simples pesquisa investigativa nem conceitos baseados em mera curiosidade."
John Owen, em A Mortificação do Pecado. O grifo é meu.
Este belo período traz luz sobre a questão da diferença decisiva que a fé, como dom de Deus, faz para o homem: capacita-o a enxergar a Deus além da maneira abstrata e conceitual, para a maneira pessoal e salvadora. Glórias a Ele!
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Spurgeon - As Implicações do Livre-Arbítrio
O livre-arbítrio não só não tem apoio bíblico, como também acaba se enredando em consequências absurdas, onde Deus está subjugado à vontade de sua criatura. Acompanhem Spurgeon:
Obs.: O vídeo fica meio cortado porque eu não sei mexer aqui no blog. Quem souber aumentar a largura das postagens aqui no blog, me avise, por favor!
Obs.: O vídeo fica meio cortado porque eu não sei mexer aqui no blog. Quem souber aumentar a largura das postagens aqui no blog, me avise, por favor!
terça-feira, 27 de abril de 2010
E agora, José?
Gente, preciso de ajuda. Na minha ânsia de ler bons livros, acabei tentando lê-los todos de uma vez e acabei que não consegui terminar nenhum. Como a faculdade tá cada vez mais apertada e ainda estou lendo outros 3 livros pra discipulado na igreja, quero a ajuda de vocês pra decidir, afinal, qual livro terminarei de ler primeiro. As opções são:
- Santidade, do J. C. Ryle;
- Future Grace, do John Piper;
- O Conquistador de Almas, do Spurgeon.
Se você já leu algum desses e recomenda, me avise!
Abraço!
- Santidade, do J. C. Ryle;
- Future Grace, do John Piper;
- O Conquistador de Almas, do Spurgeon.
Se você já leu algum desses e recomenda, me avise!
Abraço!
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Somos todos Teólogos - Atualizado
Esse vídeo é sensacional. Exprime muito bem algo que eu já pensava no meu íntimo, parecido com aquelas músicas ou poemas que, de vez em quando, fazem você pensar que foi plagiado. Haha! E a comparação desse vídeo com músicas ou poemas é bem justa, pois todos me fazem pensar no "belo" - que culmina em Deus.
O vídeo foi baseado no livro "Dug Down Deep", do pastor Joshua Harris, de quem eu muito gosto. Peço perdão a quem não entende inglês. Mas, se bem conheço a nova geração de calvinistas que encontro pela internet, logo, logo aparece uma legenda desse vídeo, e aí eu atualizo aqui!
Abraços a todos!
______________________________________
Atualização: os amigos do iPródigo traduziram o vídeo, como já havia previsto. A versão legendada já está aí. Abraços!
O vídeo foi baseado no livro "Dug Down Deep", do pastor Joshua Harris, de quem eu muito gosto. Peço perdão a quem não entende inglês. Mas, se bem conheço a nova geração de calvinistas que encontro pela internet, logo, logo aparece uma legenda desse vídeo, e aí eu atualizo aqui!
Abraços a todos!
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Atualização: os amigos do iPródigo traduziram o vídeo, como já havia previsto. A versão legendada já está aí. Abraços!
sábado, 3 de abril de 2010
A Dúvida nem sempre é uma virtude!
Texto referente a questões difíceis da Palavra de Deus, as quais provocam grande debate entre neoliberais (ou pós-modernistas, de uma forma geral) e reformados. John MacArthur é muito preciso em sua abordagem. A dúvida nem sempre é uma virtude!
A Aflição dos Pós-Modernistas no tocante à Certeza
Por John MacArthur
A supremacia de Cristo na igreja está sendo desafiada por aqueles que integram o movimento da Igreja Emergente e sugerem que as Escrituras não são suficientemente claras para permitir que preguemos a verdade com qualquer grau de clareza, certeza ou convicção. A maioria deles jamais negaria abertamente que a Bíblia é a Palavra de Deus, mas estão fazendo isso quando insistem que ninguém tem o direito de afirmar com certeza o que a Bíblia significa.
Brian McLaren resume essa mentalidade na introdução ao seu livro "A New Type of Christian" ("Um Novo Tipo de Cristão"):
“Dirijo meu automóvel e ouço a estação de rádio cristã, algo que minha esposa sempre diz que devo parar de fazer ("porque isso só deixa você nervoso", diz ela). Ali, ouço um pregador após outro se mostrando absolutamente seguro de suas repostas, que são até à prova de bombardeio, e das suas interpretações bíblicas infalíveis... E, quanto mais seguro ele parece, tanto menos desejo ser um cristão, porque neste outro lado, distante do microfone, das antenas e do locutor, a vida não é tão simples assim; as respostas não são tão claras assim; e nada é tão seguro assim”.
Deste modo, o pós-modernismo "evangélico" chegou a transformar em virtude sublime toda dúvida, incerteza e hesitação a respeito de quase todos os ensinos das Escrituras. Convicções fortes, afirmadas com clareza, são invariavelmente rotuladas como "arrogância" por aqueles que favorecem o diálogo pós-modernista.
Ora, é claro que não podemos ser dogmáticos a respeito dos temas secundários de nossa fé e de assuntos de preferência pessoal. Quase ninguém acredita que devemos brigar por toda e qualquer opinião. A Escritura traça delimita este assunto com bastante clareza: somos ordenados a defender a fé uma vez por todas entregue aos santos; e somos proibidos de provocar lutas, uns com os outros, no tocante a questões secundárias (Romanos 14.1).
No entanto, alguns estão sugerindo que a humildade exige que todos parem de tratar qualquer virtude como incontestável. Em vez disso, devemos reconsiderar tudo e "admitir que nossas formulações do passado e do presente podem ter sido limitadas ou distorcidas".
Essa abordagem tem sido mencionada, por alguns, como "uma hermenêutica da humildade" — como se fosse inerentemente orgulhoso demais para um pregador o imaginar que ele sabe aquilo que Deus disse a respeito de alguma coisa. É claro que essa negação de toda a certeza não tem qualquer indício de verdadeira humildade. De fato, isto é realmente uma forma arrogante de incredulidade, arraigada na recusa imprudente de reconhecer que Deus foi suficientemente claro na revelação que fez de Si mesmo às suas criaturas. Essa atitude é uma forma blasfema de arrogância e, quando ela governa até a maneira como alguém maneja a Palavra de Deus, se torna outra expressão de rebeldia maligna contra a autoridade de Cristo.
Cristo tem falado na Bíblia e nos julga responsáveis por entender, interpretar, obedecer e ensinar aquilo que Ele disse — em contraste com a atitude de destruir tudo que a Bíblia diz. Observe que Cristo repreendeu, diversas vezes os fariseus por torcerem e de¬sobedecerem às Escrituras, por deixarem-nas de lado em favor das tradições deles e por menosprezarem, de modo geral, o significado claro das Escrituras. Nenhuma vez Jesus desculpou a hipocrisia e falsa religião dos fariseus, usando como argumento a falta de clareza no Antigo Testamento.
Jesus considerava responsáveis não somente os fariseus, mas também o povo comum, por conhecerem e entenderem as Escrituras. "Nunca lestes...?" era uma repreensão que Ele dirigia comumente àqueles que desafiavam os seus ensinos, mas não conheciam nem entendiam as Escrituras como deveriam (Mateus 12.3, 5; 19.4; 22.31; Marcos 12.26). Jesus se dirigiu aos discípulos na estrada de Emaús: "Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas dis¬seram!", por causa da ignorância deles a respeito das promessas messiânicas do Antigo Testamento (Lucas 24.25). O problema não se achava em qualquer falta de clareza nas Escrituras, e sim na fé indolente dos discípulos.
O apóstolo Paulo, cujos escritos são os mais debatidos pelos eruditos hoje, escreveu quase todas as suas epístolas para o homem comum, e não para eruditos e intelectuais. As epístolas dirigidas às igrejas foram escritas para as igrejas predominantemente gentias, cujo entendimento do Antigo Testamento era limitado. Apesar disso, Paulo esperava que aqueles cristãos entendessem aquilo que ele escrevera (Efésios 3.3-5) é os considerava responsáveis por seguirem as suas instruções (1 Timóteo 3.14-15).
Paulo e Cristo argumentavam, de modo consistente, que todo cristão tem o dever de estudar e interpretar corretamente as Escrituras (2 Timóteo 2.15). "Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça" (Mateus 11.15; 13.9,16; Marcos 4.9).
Até o Livro do Apocalipse, que pode ser considerado, nas Escrituras, uma das seções mais difíceis de ser interpretada, não é tão difícil para o leitor leigo entender de modo suficiente e com proveito. Por isso, o Apocalipse começa com a seguinte bênção: "Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo" (Apocalipse 1.3).
O cristianismo protestante sempre afirmou a perspicuidade das Escrituras. Isso significa que cremos que Deus falou de modo distinto em sua Palavra. Nem tudo que lemos nas Escrituras é igualmente claro (2 Pedro 3.16). Mas a Palavra de Deus é suficientemente clara para o leitor comum saber e compreender tudo que é necessário para que ele tenha o conhecimento salvífico de Cristo. As Escrituras são, também, suficientemente claras para nos capacitar a obedecer à Grande Comissão, que requer expressamente que ensinemos às outras pessoas "todas as coisas" que Cristo ordenou (Mateus 28.18-20).
A erudição cristã acumulada durante dois mil anos tem sido consistente no tocante aos principais assuntos: A Bíblia é a Palavra de Deus, revestida de autoridade, que contém todas as verdades espirituais e essenciais para a glória de Deus, para a nossa salvação, fé e vida eterna. As Escrituras nos dizem que toda a humanidade caiu na pessoa de Adão e que o nosso pecado é uma escravidão completa, da qual não podemos nos livrar. Jesus é Deus encarnado, que tomou sobre Si a carne humana, a fim de pagar o preço do pecado e redimir da escravidão do pecado homens e mulheres que crêem. A salvação é pela graça mediante a fé, e não o resultado de quaisquer obras que realizemos. Cristo é o único Salvador para todo o mundo, e, à parte da fé nEle, não existe esperança alguma para nenhum pecador. Por isso, a mensagem do evangelho precisa ser levada até aos confins da terra. Os cristãos verdadeiros sempre estiveram em pleno acordo, quanto a todos esses assuntos vitais da verdade bíblica.
Na realidade, a noção pós-moderna de que tudo deve ser colocado perpetuamente em debate e de que nada é certo ou estabelecido é uma negação evidente e simples da clareza das Escrituras e do testemunho unânime que o povo de Deus tem prestado no decorrer da história da redenção. Em certo sentido, a negação contemporânea da clareza da Bíblia representa um retorno à maneira de pensar medieval, quando a hierarquia católica insistia que a Bíblia era demasiadamente obscura para que os leigos a interpretassem por conta própria. (Esta crença suscitou grande e violenta oposição contra aqueles que trabalhavam para traduzir a Bíblia aos idiomas comuns.)
Em outro sentido, a negação pós-moderna da clareza das Escrituras é pior do que as trevas da superstição religiosa da Idade Média, porque o pós-modernismo diz, com efeito, que ninguém pode entender, de modo confiável, o que a Bíblia significa. O pós-modernismo deixa as pessoas permanentemente nas trevas a respeito de quase tudo.
Essa atitude também é uma negação do senhorio de Cristo sobre a igreja. Como Ele pode exercer a sua soberania sobre a igreja, se o seu próprio povo nunca sabe o significado daquilo que Ele disse? O próprio Jesus solucionou a questão referente à suficiência de clareza em sua verdade, ao dizer: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão." em João 10.27-28.
Outras modas e novidades teológicas. Muitos outros desafios à supremacia de Cristo sobre a igreja estão se infiltrando no movimento evangélico. Alguns anulam o senhorio de Cristo mediante sua doutrina falha. O teísmo aberto, por exemplo, sugere que Deus não sabe o futuro de modo infalível. Essa idéia diminui a verdade da soberania divina e, assim, subverte toda a base do senhorio de Cristo.
Outros desejariam afirmar formalmente a soberania de Cristo e sua supremacia espiritual sobre a igreja, mas resistem, na prática, à autoridade dEle. Citaremos apenas um exemplo de como isso acontece: muitas igrejas têm colocado várias formas de psicologia humana, de terapia de auto-ajuda, bem como a idéia de "restauração", no lugar dos ensinos bíblicos a respeito do pecado e da santificação. Deste modo, a supremacia de Cristo sobre a igreja é subjugada a terapeutas profissionais. No entanto, o desígnio divino para a santificação é que esta ser realize por meio da Palavra de Deus (João 15.3; 17,17). Portanto, sempre que a obra da Palavra de Deus está sendo substituída por programas de doze passos ou outros substitutos, a supremacia de Cristo sobre a igreja está sendo negada na prática.
Os estilos populares de liderança eclesiástica do tipo empresarial (nos quais o pastor desempenha o papel de presidente de uma grande corporação, e não o papel de pastor fiel do rebanho de Cristo,) também subvertem a supremacia de Cristo sobre a igreja. Esses empreendimentos podem ser rotulados de "igreja", mas freqüentemente são meros produtos da engenhosidade humana e da energia carnal. São obras de "madeira, feno, palha", nas palavras de 1 Coríntios 3.12 — não têm valor eterno; estão) destinadas a serem totalmente reprovadas no tribunal de Cristo. Ele está edificando a igreja verdadeira (Mateus 16.18); e somente Ele é o verdadeiro Cabeça da igreja (Efésios 5.23). O governo de Cristo não é mediado pela esperteza e habilidade de administradores, mas tão somente por meio da sua verdade revelada, à medida que ela é corretamente pregada, explicada, aplicada e sustentada.
Infelizmente, para onde quer que olharmos no movimento evangélico contemporâneo, a supremacia de Cristo sobre a igreja está sendo desafiada, rejeitada, desconsiderada, anulada ou disputada, de uma maneira ou de outra. Um entendimento correto da igreja começa com esse reconhecimento. Cristo é o único e verdadeiro Cabeça da igreja; tudo que interfere nesta supremacia contém as sementes da apostasia. Por outro lado, toda forma de apostasia é uma negação implícita de "nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo" (Judas 4) e, portanto, uma forma de rebelião contra o único e verdadeiro Cabeça da igreja.
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Retirado do excelente blog do Josemar Bessa.
segunda-feira, 29 de março de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
Se foi Adão quem pecou, porque eu recebo a culpa?
Gente, vou retirar a postagem de hoje de dois comentários do blog do Clóvis, o Cinco Solas ( http://cincosolas.blogspot.com ), do post "Seria Deus injusto?". Aliás, recomendo esse blog - muito edificante! Aposto que você tem ou já teve essa dúvida, e saná-la é um grande passo para compreender o Evangelho e a Salvação. Saca só a pergunta que fizeram pra ele, e a resposta que ele deu em seguida (vou transcrever da forma como foi escrito):
o homem e culpado por causa do pecado original mas quem pecou foi adão então DEUS condenou toda raça humana pelo pecado de um.e porque
ohomem e culpado por um erro que o matou sem ele mesmo saber? como ele ira conhecer essa verdade se ele está morto; não daria base para alguem contestar a justiça de DEUS
SE ELE NASE MORTO por causa naõ do pecado dele e sim o pecado de adão?
Clóvis respondeu,
Obrigado pela sua participação e questionamentos.
Deus não apenas é justo como é o padrão de toda justiça. O nosso senso de justiça é falho, somente o que Deus diz que é justo realmente é justo.
A forma como a culpa do pecado de Adão nos é atribuída chama-se imputação, que significa algo como "lançar na conta de". Porque isso se deu? Porque nós estávamos em Adão, Adão pecou não apenas como indivíduo, mas como representante da raça. Uma ilustração seria uma dívida conraída pelo presidente da república, que então é paga por toda a nação, pois ao contraí-la ele o fez como representante de todo um povo. A Bíblia diz que nós pecamos em Adão.
Humanamente falando é possível questionar a justiça de Deus. Mas é loucura. O que não impede de homens fazê-lo. Pedro Pelágio foi um que questionou isso e chegou a negar o pecado original. Pelágio é um precursor do arminianismo.
Mas há um outro problema em rejeitar a culpa original por imputação. É que a justiça de Cristo também nos é conferida por imputação. Assim, se achamos injusto Deus nos culpar pelo pecado que cometemos em Adão, como aceitaremos que a justiça perfeita de Seu Filho seja lançada na nossa conta? Mesmo porque o processo é o mesmo: em Adão pecamos e morremos, em Cristo somos justificados e vivemos.
Em Cristo,
Clóvis
_________________________________________________________
Abraços a todos!
Anônimo,
clovis falando sobre a culpa do homem
o homem e culpado por causa do pecado original mas quem pecou foi adão então DEUS condenou toda raça humana pelo pecado de um.e porque
ohomem e culpado por um erro que o matou sem ele mesmo saber? como ele ira conhecer essa verdade se ele está morto; não daria base para alguem contestar a justiça de DEUS
SE ELE NASE MORTO por causa naõ do pecado dele e sim o pecado de adão?
Clóvis respondeu,
Anônimo,
Obrigado pela sua participação e questionamentos.
Deus não apenas é justo como é o padrão de toda justiça. O nosso senso de justiça é falho, somente o que Deus diz que é justo realmente é justo.
A forma como a culpa do pecado de Adão nos é atribuída chama-se imputação, que significa algo como "lançar na conta de". Porque isso se deu? Porque nós estávamos em Adão, Adão pecou não apenas como indivíduo, mas como representante da raça. Uma ilustração seria uma dívida conraída pelo presidente da república, que então é paga por toda a nação, pois ao contraí-la ele o fez como representante de todo um povo. A Bíblia diz que nós pecamos em Adão.
Humanamente falando é possível questionar a justiça de Deus. Mas é loucura. O que não impede de homens fazê-lo. Pedro Pelágio foi um que questionou isso e chegou a negar o pecado original. Pelágio é um precursor do arminianismo.
Mas há um outro problema em rejeitar a culpa original por imputação. É que a justiça de Cristo também nos é conferida por imputação. Assim, se achamos injusto Deus nos culpar pelo pecado que cometemos em Adão, como aceitaremos que a justiça perfeita de Seu Filho seja lançada na nossa conta? Mesmo porque o processo é o mesmo: em Adão pecamos e morremos, em Cristo somos justificados e vivemos.
Em Cristo,
Clóvis
_________________________________________________________
Abraços a todos!
sábado, 6 de março de 2010
Calvinismo: essencial para a fé?
Faço minhas as palavras do médico e teólogo David Martyn Lloyd-Jones, no livro "Discernindo os Tempos" da PES. No trecho seguinte, ele explicita sua convicção acerca dos pontos que são essenciais e dos que não são essenciais à fé cristã. Que eu sempre me lembre disso antes de discutir com algum irmão arminiano.
"Uma delas é a crença na eleição e na predestinação. Pois bem, eu sou calvinista; creio na eleição e na predestinação; contudo nem sonho em colocá-la sob o título de pontos essenciais. Coloco-a sob o título de pontos não essenciais. Notem bem, eu condeno o pelagianismo; eu digo que o pelagianismo é uma negação da verdade das Escrituras quanto à salvação - isso cai fora. Mas estou pensando no arminianismo, em suas várias formas e, portanto, não coloco isto na categoria de pontos essenciais.
Não, pela seguinte razão, que isto, para mim, é matéria de entendimento. Você não é salvo pelo seu preciso entendimento de como esta grande salvação chega a você. O que você precisa ter claro na mente é que está perdido e condenado, sem esperança e sem amparo, e que nada pode salvá-lo, senão a graça de Deus em Jesus Cristo, e unicamente Ele crucificado, levando sobre si o castigo dos seus pecados, morrendo, ressurgindo, ascendendo ao céu, enviando o Seu Espírito, e a regeneração. Esses são os pontos essenciais.
Agora, quando você vem e me pergunta: exatamente como eu chego a crer nisso? Eu digo que é matéria de entendimento da mecânica da salvação, não do método da salvação. E aqui, embora eu mesmo tenha ideias muito definidas e sólidas sobre o assunto, não me separarei do homem que não consegue aceitar e abraçar as doutrinas da eleição e da predestinação e que é arminiano, contanto que ele me diga que todos nós somos salvos pela graça, e contanto que, como o calvinista concorda, como deve concordar, que Deus chama os homens, em toda parte, ao arrependimento. Contanto que ambos estejam dispostos a concordar acerca dessas coisas, eu digo que não devemos romper a comunhão. Ponho, assim, a eleição na categoria
de pontos não essenciais."
Discernindo os tempos: palestras proferidas entre 1942 e 1977/D.M.Lloyd-Jones/Editora
PES, SP, 1994, p.370.
Abraços!
"Uma delas é a crença na eleição e na predestinação. Pois bem, eu sou calvinista; creio na eleição e na predestinação; contudo nem sonho em colocá-la sob o título de pontos essenciais. Coloco-a sob o título de pontos não essenciais. Notem bem, eu condeno o pelagianismo; eu digo que o pelagianismo é uma negação da verdade das Escrituras quanto à salvação - isso cai fora. Mas estou pensando no arminianismo, em suas várias formas e, portanto, não coloco isto na categoria de pontos essenciais.
Não, pela seguinte razão, que isto, para mim, é matéria de entendimento. Você não é salvo pelo seu preciso entendimento de como esta grande salvação chega a você. O que você precisa ter claro na mente é que está perdido e condenado, sem esperança e sem amparo, e que nada pode salvá-lo, senão a graça de Deus em Jesus Cristo, e unicamente Ele crucificado, levando sobre si o castigo dos seus pecados, morrendo, ressurgindo, ascendendo ao céu, enviando o Seu Espírito, e a regeneração. Esses são os pontos essenciais.
Agora, quando você vem e me pergunta: exatamente como eu chego a crer nisso? Eu digo que é matéria de entendimento da mecânica da salvação, não do método da salvação. E aqui, embora eu mesmo tenha ideias muito definidas e sólidas sobre o assunto, não me separarei do homem que não consegue aceitar e abraçar as doutrinas da eleição e da predestinação e que é arminiano, contanto que ele me diga que todos nós somos salvos pela graça, e contanto que, como o calvinista concorda, como deve concordar, que Deus chama os homens, em toda parte, ao arrependimento. Contanto que ambos estejam dispostos a concordar acerca dessas coisas, eu digo que não devemos romper a comunhão. Ponho, assim, a eleição na categoria
de pontos não essenciais."
Discernindo os tempos: palestras proferidas entre 1942 e 1977/D.M.Lloyd-Jones/Editora
PES, SP, 1994, p.370.
Abraços!
sábado, 26 de dezembro de 2009
A Necessidade do Arrependimento
Irmãos, que mensagem incrível! Abismado pelo vigor com que o Senhor, por meio de J. C. Ryle, falou ao meu coração. Compartilho com vocês. Abraços!
"Se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis." (Lucas 13.3).
À primeira vista, este versículo parece rude e severo. Posso imaginar alguns dizendo: "Isto é o evangelho? Estas são as boas notícias? São as boas novas sobre as quais falam os pastores? É um discurso árduo, quem o pode suportar?" (cf. Jo 6.60).
No entanto, de quem eram os lábios que proferiram estas palavras? Elas vieram dos lábios dAquele que nos ama com um amor que excede todo entendimento, o próprio Jesus Cristo, o Filho de Deus. Foram ditas por Aquele que nos amou tanto, que deixou o céu, desceu à terra, viveu de modo pobre e humilde durante 33 anos, por nossa causa; foi à cruz, morreu e foi sepultado por nossos pecados. As palavras que vieram de lábios como esses têm de ser, com certeza, palavras de amor.
Afinal de contas, há maior prova de amor do que avisar um amigo quanto ao perigo vindouro? O pai que vê seu filho caminhando em direção à beira de um precipício e, quando o vê, grita fortemente: "Pare, pare!", não é um pai que ama o filho? A mãe carinhosa que vê sua criança a ponto de ingerir algo venenoso e clama intensamente: "Pare, pare! Largue isso!", não é uma mãe que ama o filho? É a indiferença que deixa as pessoas sozinhas e permite que continuem seguindo o seu caminho. O amor, amor compassivo, adverte e ergue o clamor de alerta. O grito de "Fogo! Fogo!", à meia-noite, pode, às vezes, arrancar uma pessoa de seu sono - de modo rude, desagradável, severo. Mas, quem reclamaria se tal grito fosse o meio de salvar a vida daquela pessoa? As palavras "se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis" podem, à primeira vista, parecer severas e rudes. Contudo, são palavras de amor e podem ser o meio de livrar do inferno almas preciosas.
Consideremos agora a necessidade de arrependimento. Por que o arrependimento é necessário? O versículo citado no início deste artigo mostra claramente a necessidade de arrependimento. As palavras de nosso Senhor Jesus Cristo são claras, enfáticas e distintas: "Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis". Todos, todos, sem exceção, necessitam de arrependimento para com Deus. O arrependimento não é necessário somente para bêbados, ladrões, assassinos, adúlteros, fornicadores e encarcerados. Não. Todos os nascidos da descendência de Adão - todos, sem exceção - precisam de arrependimento para com Deus. A rainha no trono, o pobre que trabalha em seu ofício, o rico em sua sala de visitas, a empregada na cozinha, o professor de ciências na universidade, o jovem pobre e ignorante que trabalha no arado - todos precisam, por natureza, de arrependimento. Todos são nascidos em pecado; todos necessitam arrepender-se e converter-se, se desejam ser salvos. Todos precisam ter seu coração mudado quanto ao pecado. Todos têm de se arrepender e crer no evangelho. "Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus" (Mt 18.3). "Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis."
O que torna necessário o arrependimento? Por que Deus usa uma linguagem tremendamente forte a respeito desta necessidade? Por que o arrependimento é necessário?
(a) Primeiramente, sem arrependimento não há perdão dos pecados. Ao dizer isso, tenho de guardar-me de mal-entendido. Peço-lhe enfaticamente que não me entenda erroneamente: lágrimas de arrependimento não removem pecados. Dizer que elas o fazem é teologia errada. Remover pecados é uma competência e uma obra exclusiva do sangue de Cristo. A contrição não produz qualquer expiação de pecado. Dizer que ela o faz é teologia pervertida. Nossa melhor contrição tem defeitos suficientes para nos lançar no inferno. "Somos reputados justos diante de Deus somente por causa de nosso Senhor Jesus Cristo, pela fé, e não por nossas obras ou merecimentos",1 não por nosso arrependimento, santidade, caridade aos pobres ou qualquer coisa desse tipo. Tudo isso é verdade. Contudo, não é menos verdade que a pessoa justificada sempre se arrepende e que um pecador perdoado sempre será uma pessoa que lamenta e abomina seus pecados.
Em Cristo, Deus está disposto a receber homens rebeldes e dar-lhes paz, se vierem a Ele, em nome de Cristo, não importando quão ímpios tenham sido. Contudo, Deus exige, com justiça, que o rebelde deponha suas armas. O Senhor Jesus Cristo está disposto a ter compaixão, perdoar, dar alívio, purificar, lavar, santificar e preparar para o céu. Todavia, Ele deseja ver o homem odiando os pecados para os quais deseja obter perdão. Se quiserem, alguns homens podem chamar isso de "legalidade". Se lhes agrada, que o chamem de "servidão". Eu fico ao lado das Escrituras. O testemunho da Palavra de Deus é claro, inconfundível. Pessoas justificadas sempre são pessoas penitentes. Sem arrependimento, não há perdão de pecados.
b) Em segundo, sem arrependimento não há felicidade nesta vida. Existem coisas como exultação, entusiasmo, sorrisos e contentamento, enquanto as pessoas desfrutam de boa saúde e têm dinheiro no bolso. Mas essas coisas não são a felicidade inabalável. Há uma consciência em todos os homens; e essa consciência tem de ser satisfeita. Portanto, enquanto a consciência sente que ainda não houve arrependimento do pecado e que este não foi perdoado, ela não terá quietude e não permitirá que a pessoa fique tranqüila em seu íntimo...
c) Em terceiro, sem arrependimento não pode haver adequação para o céu, no mundo por vir. O céu é um lugar preparado, e aqueles que vão ao céu têm de ser um povo preparado. Nosso coração tem de estar em harmonia com as disposições do céu, pois, do contrário, o céu nos será um lugar infeliz. Nossa mente tem de estar em harmonia com a mente dos habitantes do céu, pois, do contrário, a comunhão das pessoas do céu nos seria intolerável... O que você faria no céu, se chegasse lá com um coração que ama o pecado? Com qual dos santos você conversaria? Ao lado de quem se assentaria? Com certeza, os anjos de Deus não entoariam música agradável ao coração daquele que não pode suportar os santos na terra e nunca louva o Cordeiro por seu amor redentor! Com certeza, a companhia dos patriarcas, dos apóstolos e dos profetas não seria satisfação para nenhum homem que agora não lê a sua Bíblia e não se interessa em saber o que os apóstolos e os profetas escreveram. Oh! não! Não! Não haveria felicidade no céu, se chegássemos ali com um coração impenitente...
Rogo-lhe, pelas misericórdias de Deus, que guarde no coração as coisas que acabei de dizer e pondere-as bem. Você vive em um mundo de engano, imposição e decepção. Não permita que ninguém o engane quanto à necessidade de arrependimento. Oh! que a igreja professa veja, saiba e sinta (mais do que o faz) a necessidade, a absoluta necessidade do verdadeiro arrependimento para com Deus! Há muitas coisas que não são necessárias. Riquezas e saúde são desnecessárias. Roupas finas não são necessárias. Amigos nobres não são indispensáveis. O favor do mundo é desnecessário. Muitos chegaram ao céu sem essas coisas. Talentos e erudição são dispensáveis. Milhões chegaram ao céu sem essas coisas. Milhares e milhares estão indo ao céu sem elas. Contudo, ninguém chegará ao céu sem o "arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo" (At 20.21).
Não permita que ninguém o convença de que um sistema de doutrina em que o arrependimento para com Deus não tem lugar de grande proeminência merece ser chamado de evangelho. Não há evangelho, se o arrependimento não é um dos principais elementos. Tal evangelho é do homem, e não de Deus. Procede da terra, mas não do céu. Não é evangelho de maneira alguma. É antinomianismo e nada mais. Enquanto você estiver apegado e preso aos seus pecados, você terá os seus pecados, embora fale o quanto quiser sobre o evangelho. Os seus pecados ainda não estão perdoados. Você pode chamar isso de legalismo, se quiser. Pode dizer, se quiser: "Espero que tudo saia bem no final. Deus é misericordioso, Deus é amor, e Cristo morreu. Espero que irei ao céu no final". Não, eu lhe digo. Tudo não sairá bem. Você está errado diante de Deus... Está menosprezando o sangue da expiação. Ainda não tem parte ou herança em Cristo. Enquanto você não se arrepender de seus pecados, o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo não é evangelho para sua alma. Cristo é um Salvador do pecado, e não um Salvador paro o homem no pecado. Se um homem quer continuar em seus pecados, chegará o dia em que o misericordioso Salvador lhe dirá: "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos" (Mt 25.41).
Não permita que ninguém o engane, levando-o a supor que pode ser feliz neste mundo, sem arrepender-se. Oh! não!... Quanto mais você viver sem arrepender-se, tanto mais infeliz será o seu coração. Quando a velhice lhe sobrevier, e os cabelos grisalhos lhe encherem a cabeça; quando você for incapaz de ir aonde costumava ir e satisfazer-se no que outrora lhe dava prazer, a sua infelicidade e miséria irromperão como um homem armado... Escreva isto nas tábuas de seu coração: sem arrependimento, não há paz!
Espero ver muitas maravilhas no último dia! Desejo ver à direita do Senhor Jesus Cristo alguns daqueles que antes eu temia vê-los à sua esquerda. Verei à sua esquerda alguns do que eu supunha serem bons cristãos e esperava vê-los à direita. Todavia, há algo que, com certeza, não verei: à sua direita não verei nenhum homem que não se arrependeu.
Extraído de "Arrependimento", no livro Old Paths, reimpresso em inglês por Banner of Truth.
1. Trinta e Nova Artigos da Religião. Artigo XI, "A Justificação do Homem".
Copyright© Editora FIEL 2009.
A necessidade de arrependimento
J. C. RyleJ. C. Ryle serviu por quase 40 anos como ministro do Evangelho. Foi um escritor prolífico, um pregador vigoroso e um pastor fiel. Muitas de suas obras têm sido reeditadas e servido como fonte de instrução e consolo para o povo de Deus. A Editora Fiel publicou algumas de suas obras em português: o clássico “Santidade”; “Uma palavra aos moços”; “Fé genuína” e os quatro volumes de meditações nos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João.
À primeira vista, este versículo parece rude e severo. Posso imaginar alguns dizendo: "Isto é o evangelho? Estas são as boas notícias? São as boas novas sobre as quais falam os pastores? É um discurso árduo, quem o pode suportar?" (cf. Jo 6.60).
No entanto, de quem eram os lábios que proferiram estas palavras? Elas vieram dos lábios dAquele que nos ama com um amor que excede todo entendimento, o próprio Jesus Cristo, o Filho de Deus. Foram ditas por Aquele que nos amou tanto, que deixou o céu, desceu à terra, viveu de modo pobre e humilde durante 33 anos, por nossa causa; foi à cruz, morreu e foi sepultado por nossos pecados. As palavras que vieram de lábios como esses têm de ser, com certeza, palavras de amor.
Afinal de contas, há maior prova de amor do que avisar um amigo quanto ao perigo vindouro? O pai que vê seu filho caminhando em direção à beira de um precipício e, quando o vê, grita fortemente: "Pare, pare!", não é um pai que ama o filho? A mãe carinhosa que vê sua criança a ponto de ingerir algo venenoso e clama intensamente: "Pare, pare! Largue isso!", não é uma mãe que ama o filho? É a indiferença que deixa as pessoas sozinhas e permite que continuem seguindo o seu caminho. O amor, amor compassivo, adverte e ergue o clamor de alerta. O grito de "Fogo! Fogo!", à meia-noite, pode, às vezes, arrancar uma pessoa de seu sono - de modo rude, desagradável, severo. Mas, quem reclamaria se tal grito fosse o meio de salvar a vida daquela pessoa? As palavras "se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis" podem, à primeira vista, parecer severas e rudes. Contudo, são palavras de amor e podem ser o meio de livrar do inferno almas preciosas.
Consideremos agora a necessidade de arrependimento. Por que o arrependimento é necessário? O versículo citado no início deste artigo mostra claramente a necessidade de arrependimento. As palavras de nosso Senhor Jesus Cristo são claras, enfáticas e distintas: "Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis". Todos, todos, sem exceção, necessitam de arrependimento para com Deus. O arrependimento não é necessário somente para bêbados, ladrões, assassinos, adúlteros, fornicadores e encarcerados. Não. Todos os nascidos da descendência de Adão - todos, sem exceção - precisam de arrependimento para com Deus. A rainha no trono, o pobre que trabalha em seu ofício, o rico em sua sala de visitas, a empregada na cozinha, o professor de ciências na universidade, o jovem pobre e ignorante que trabalha no arado - todos precisam, por natureza, de arrependimento. Todos são nascidos em pecado; todos necessitam arrepender-se e converter-se, se desejam ser salvos. Todos precisam ter seu coração mudado quanto ao pecado. Todos têm de se arrepender e crer no evangelho. "Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus" (Mt 18.3). "Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis."
O que torna necessário o arrependimento? Por que Deus usa uma linguagem tremendamente forte a respeito desta necessidade? Por que o arrependimento é necessário?
(a) Primeiramente, sem arrependimento não há perdão dos pecados. Ao dizer isso, tenho de guardar-me de mal-entendido. Peço-lhe enfaticamente que não me entenda erroneamente: lágrimas de arrependimento não removem pecados. Dizer que elas o fazem é teologia errada. Remover pecados é uma competência e uma obra exclusiva do sangue de Cristo. A contrição não produz qualquer expiação de pecado. Dizer que ela o faz é teologia pervertida. Nossa melhor contrição tem defeitos suficientes para nos lançar no inferno. "Somos reputados justos diante de Deus somente por causa de nosso Senhor Jesus Cristo, pela fé, e não por nossas obras ou merecimentos",1 não por nosso arrependimento, santidade, caridade aos pobres ou qualquer coisa desse tipo. Tudo isso é verdade. Contudo, não é menos verdade que a pessoa justificada sempre se arrepende e que um pecador perdoado sempre será uma pessoa que lamenta e abomina seus pecados.
Em Cristo, Deus está disposto a receber homens rebeldes e dar-lhes paz, se vierem a Ele, em nome de Cristo, não importando quão ímpios tenham sido. Contudo, Deus exige, com justiça, que o rebelde deponha suas armas. O Senhor Jesus Cristo está disposto a ter compaixão, perdoar, dar alívio, purificar, lavar, santificar e preparar para o céu. Todavia, Ele deseja ver o homem odiando os pecados para os quais deseja obter perdão. Se quiserem, alguns homens podem chamar isso de "legalidade". Se lhes agrada, que o chamem de "servidão". Eu fico ao lado das Escrituras. O testemunho da Palavra de Deus é claro, inconfundível. Pessoas justificadas sempre são pessoas penitentes. Sem arrependimento, não há perdão de pecados.
b) Em segundo, sem arrependimento não há felicidade nesta vida. Existem coisas como exultação, entusiasmo, sorrisos e contentamento, enquanto as pessoas desfrutam de boa saúde e têm dinheiro no bolso. Mas essas coisas não são a felicidade inabalável. Há uma consciência em todos os homens; e essa consciência tem de ser satisfeita. Portanto, enquanto a consciência sente que ainda não houve arrependimento do pecado e que este não foi perdoado, ela não terá quietude e não permitirá que a pessoa fique tranqüila em seu íntimo...
c) Em terceiro, sem arrependimento não pode haver adequação para o céu, no mundo por vir. O céu é um lugar preparado, e aqueles que vão ao céu têm de ser um povo preparado. Nosso coração tem de estar em harmonia com as disposições do céu, pois, do contrário, o céu nos será um lugar infeliz. Nossa mente tem de estar em harmonia com a mente dos habitantes do céu, pois, do contrário, a comunhão das pessoas do céu nos seria intolerável... O que você faria no céu, se chegasse lá com um coração que ama o pecado? Com qual dos santos você conversaria? Ao lado de quem se assentaria? Com certeza, os anjos de Deus não entoariam música agradável ao coração daquele que não pode suportar os santos na terra e nunca louva o Cordeiro por seu amor redentor! Com certeza, a companhia dos patriarcas, dos apóstolos e dos profetas não seria satisfação para nenhum homem que agora não lê a sua Bíblia e não se interessa em saber o que os apóstolos e os profetas escreveram. Oh! não! Não! Não haveria felicidade no céu, se chegássemos ali com um coração impenitente...
Rogo-lhe, pelas misericórdias de Deus, que guarde no coração as coisas que acabei de dizer e pondere-as bem. Você vive em um mundo de engano, imposição e decepção. Não permita que ninguém o engane quanto à necessidade de arrependimento. Oh! que a igreja professa veja, saiba e sinta (mais do que o faz) a necessidade, a absoluta necessidade do verdadeiro arrependimento para com Deus! Há muitas coisas que não são necessárias. Riquezas e saúde são desnecessárias. Roupas finas não são necessárias. Amigos nobres não são indispensáveis. O favor do mundo é desnecessário. Muitos chegaram ao céu sem essas coisas. Talentos e erudição são dispensáveis. Milhões chegaram ao céu sem essas coisas. Milhares e milhares estão indo ao céu sem elas. Contudo, ninguém chegará ao céu sem o "arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo" (At 20.21).
Não permita que ninguém o convença de que um sistema de doutrina em que o arrependimento para com Deus não tem lugar de grande proeminência merece ser chamado de evangelho. Não há evangelho, se o arrependimento não é um dos principais elementos. Tal evangelho é do homem, e não de Deus. Procede da terra, mas não do céu. Não é evangelho de maneira alguma. É antinomianismo e nada mais. Enquanto você estiver apegado e preso aos seus pecados, você terá os seus pecados, embora fale o quanto quiser sobre o evangelho. Os seus pecados ainda não estão perdoados. Você pode chamar isso de legalismo, se quiser. Pode dizer, se quiser: "Espero que tudo saia bem no final. Deus é misericordioso, Deus é amor, e Cristo morreu. Espero que irei ao céu no final". Não, eu lhe digo. Tudo não sairá bem. Você está errado diante de Deus... Está menosprezando o sangue da expiação. Ainda não tem parte ou herança em Cristo. Enquanto você não se arrepender de seus pecados, o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo não é evangelho para sua alma. Cristo é um Salvador do pecado, e não um Salvador paro o homem no pecado. Se um homem quer continuar em seus pecados, chegará o dia em que o misericordioso Salvador lhe dirá: "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos" (Mt 25.41).
Não permita que ninguém o engane, levando-o a supor que pode ser feliz neste mundo, sem arrepender-se. Oh! não!... Quanto mais você viver sem arrepender-se, tanto mais infeliz será o seu coração. Quando a velhice lhe sobrevier, e os cabelos grisalhos lhe encherem a cabeça; quando você for incapaz de ir aonde costumava ir e satisfazer-se no que outrora lhe dava prazer, a sua infelicidade e miséria irromperão como um homem armado... Escreva isto nas tábuas de seu coração: sem arrependimento, não há paz!
Espero ver muitas maravilhas no último dia! Desejo ver à direita do Senhor Jesus Cristo alguns daqueles que antes eu temia vê-los à sua esquerda. Verei à sua esquerda alguns do que eu supunha serem bons cristãos e esperava vê-los à direita. Todavia, há algo que, com certeza, não verei: à sua direita não verei nenhum homem que não se arrependeu.
Extraído de "Arrependimento", no livro Old Paths, reimpresso em inglês por Banner of Truth.
1. Trinta e Nova Artigos da Religião. Artigo XI, "A Justificação do Homem".
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